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Figura
24: Touros canchins em processo
de seleção |
O melhoramento da raça
Canchim é feito por meio de seleção
de animais superiores para determinadas características.
A escolha das características a serem selecionadas,
isto é, os critérios de seleção,
vai depender do valor econômico das mesmas e das suas
estimativas de parâmetros de população
(herdabilidades e correlações genéticas
e fenotípicas).
O criador deve escolher
características importantes que respondem à
seleção. A importância das características
é definida quando o criador decide para que e para
quem ele vai selecionar. Os parâmetros de população
indicam a resposta esperada à seleção
e o método de seleção a ser utilizado.
As características
de eficiência reprodutiva são as mais importantes
em bovinos de corte. Pequenos progressos na eficiência
reprodutiva resultam em elevados benefícios. No caso
das fêmeas, apesar da elevada importância dessas
características, as baixas herdabilidades normalmente
apresentadas por elas (Tabela
11), aliadas à baixa intensidade de seleção
aplicada ao sexo feminino e à dificuldade de mensuração
de algumas das características, resultam em baixo
progresso genético esperado. Entretanto, a fertilidade
dos touros é um critério de seleção
alternativo, para aumentar a taxa de natalidade imediata
e permanentemente.
Um dos principais fatores
que afetam o desempenho reprodutivo do touro é o
tamanho dos testículos, sendo a circunferência
escrotal a sua medida mais comum. Existem evidências,
em bovinos de corte, de que a circunferência escrotal
está relacionada favoravelmente com a capacidade
reprodutiva do touro. Na raça Canchim, as circunferências
escrotais dos touros aos 12, 18 e 24 meses de idade apresentam
valores de herdabilidade que sugerem a possibilidade de
obtenção de progresso pela seleção
(Tabela
12). As circunferências escrotais apresentam também
correlações genéticas positivas e elevadas
com os pesos dos machos a partir da desmama (Tabela 12)
indicando que a seleção para circunferência
escrotal deverá resultar em progresso genético
nos pesos, ou vice-versa. Além disto, a circunferência
escrotal aos 12 meses de idade apresenta correlação
genética alta e favorável (-0,91) com a idade
ao primeiro parto das fêmeas, sugerindo que aqueles
touros que transmitem precocidade aos filhos também
a transmitem às filhas (ALENCAR et al., 1993).
ALENCAR et al. (1992)
também verificaram correlação genética
negativa (-0,44) entre a circunferência escrotal aos
12 meses de idade e o aumento da circunferência dos
12 aos 18 meses, sugerindo que os genes que contribuem para
uma maior circunferência escrotal aos 12 meses agem
em sentido contrário ao crescimento testicular após
os 12 meses. Parece que os touros, em geral, têm capacidade
para transmitir um bom crescimento testicular, entretanto,
alguns o fazem mais rapidamente. Estes resultados suportam
a hipótese de ser a circunferência escrotal
aos 12 meses de idade, uma boa medida da precocidade do
animal.
Os comentários
feitos acima, aliados à facilidade de mensuração
da característica, elegem a circunferência
escrotal como um bom critério de seleção
para eficiência reprodutiva, principalmente quando
tomada aos 12 meses de idade.
Apesar da baixa herdabilidade
das características que medem a eficiência
reprodutiva de fêmeas, o criador deverá sempre
descartar do rebanho as vacas menos férteis, tanto
pelos motivos econômicos quanto pelos genéticos.
Se o rebanho está estabilizado, o criador pode descartar
as vacas que resultam vazias de uma estação
de monta e substituí-las por novilhas prenhes. Se
o rebanho está crescendo, as vacas podem ser descartadas
se saírem vazias de duas estações de
monta seguidas. No caso de touros, além da circunferência
escrotal, o criador deve procurar fazer o exame andrológico
completo.
As características
de habilidade materna são também muito importantes
em bovinos de corte, uma vez que o desenvolvimento do bezerro
depende do ambiente que lhe é fornecido pela vaca.
Essas características, no Canchim, contudo, apresentam
baixa herdabilidade (ex: 0,17 para produção
de leite; ALENCAR, 1987b), sugerindo baixo progresso genético
pela seleção. Uma maneira fácil de
selecionar vacas com boa habilidade materna é pelo
peso do bezerro à desmama. Aquelas vacas que desmamaram
bezerros mais pesados, são melhores mães.
As vacas que apresentaram valores muito baixos serão
descartadas. A repetibilidade do peso à desmama no
gado Canchim é de 0,21 (média de duas estimativas;
PACKER, 1977 e ALENCAR, 1985).
O criador pode querer
combinar habilidade materna e eficiência reprodutiva
da vaca, na seleção. Uma boa maneira de fazer
isto é calcular quilogramas de bezerro desmamado
por ano, ou por um determinado período de tempo,
dependendo da situação do rebanho.
O desempenho dos animais
é um fator importante em qualquer exploração
bovina para carne. Normalmente avalia-se o desenvolvimento
dos animais com base no peso a determinadas idades e no
ganho de peso entre essas idades. Essas características
apresentam, em geral, valores médios a altos de herdabilidade,
indicando que a seleção resulta em bom progresso
genético. Na Tabela
13 são apresentadas a médias das estimativas
de herdabilidade obtidas para pesos na raça Canchim,
enquanto que na Tabela
14 são apresentadas as médias das correlações
genéticas e fenotípicas entre os pesos.
O peso aos 12 meses
de idade apresenta elevada herdabilidade, é bem correlacionado
geneticamente com outros pesos, é tomado quando o
animal já passou algum tempo longe do ambiente materno,
mas ainda jovem, e é bem correlacionado com a circunferência
escrotal, tornando-se, portanto, um bom critério
de seleção.
O peso aos 18 meses
de idade também apresenta boa herdabilidade, é
bem correlacionado com outros pesos e o animal já
passou cerca de um ano longe dos efeitos maternos. Em relação
ao peso aos 12 meses apresenta a desvantagem do animal já
ser mais velho. É também um bom critério
de seleção.
Existem suspeitas de
antagonismo genético entre características
de peso e de eficiência reprodutiva em gado de corte.
BARBOSA (1991) obteve as seguintes correlações
genéticas entre a idade ao primeiro parto e os pesos
ao nascimento, à desmama e aos 12, 18, 24 e 30 meses
de idade e à maturidade, para fêmeas da raça
Canchim: 0,47; 0,37; -0,64; -0,58; -0,23; -0,20 e 0,11,
respectivamente. As correlações genéticas
entre os pesos e a idade ao segundo parto seguiram o mesmo
padrão das que envolveram a idade ao primeiro parto.
Estas estimativas indicam ser os pesos aos 12 e 18 meses
de idade bons critérios de seleção,
uma vez que tenderão a reduzir a idade ao primeiro
parto.
Pelo que foi apresentado
acima, os pesos aos 12 e 18 meses de idade parecem ser os
melhores critérios de seleção para
aumento de peso no Canchim. A escolha de um ou de outro,
vai depender de cada criador em particular. Se ele quer
descartar os animais o mais cedo possível, o peso
aos 12 meses pode ser o escolhido. Se o criador pode manter
os animais no rebanho até mais tarde, o peso aos
18 meses pode ser o eleito. A época de nascimento
dos animais pode também influenciar na escolha. Animais
nascidos na seca (maio-setembro), se não receberem
suplementação após a desmama, podem
apresentar-se muito magros aos 12 meses, o que dificultaria
a seleção se o critério de tipo for
também utilizado; aqueles nascidos no verão
(outubro-abril) apresentariam o problema aos 18 meses de
idade.
Além das características
ligadas à eficiência reprodutiva, habilidade
materna e desenvolvimento ponderal, o criador deve selecionar
pensando no padrão da raça, que leva em conta
o tipo para carne, estrutura, musculatura, capacidade torácica,
disposição e temperamento. Além disso
o tamanho do umbigo pode ser reduzido facilmente pela seleção,
uma vez que a variação genética existente
é alta (ALENCAR et al., 1994).
  

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